Sou mulher trans, tomo perlutan de 15 em 15 dias. Na quarta feira passada eu tomei a 8a. dose, fiz exame de sangue no sábado e meu estradiol está em 87,2ng. Ou seja, baixo pra quem toma perlutan. A minha prolactina está em 80. Será que meu corpo não está reconhecendo bem?
A terapia hormonal, com ou sem cirurgia, é praticamente necessária na maioria das mulheres trans para melhor resposta física e psíquica adequada ao gênero feminino. O tratamento hormonal se baseia na combinação de terapia estrogênica combinada com anti-androgênica. O Perlutan ® (150 mg/mL de algestona acetofenida e 10 mg/mL de enantato de estradiol) faz a função anti-androgênica por bloqueio gonadotrófico reduzindo a produção de testosterona. Já o estradiol presente na medicação tem o objetivo de potencializar o efeito estrogênico.Originalmente, a medicação foi desenvolvida pra anti-concepção. Os valores de referência de estradiol variam em homens de 2,6 a 6 ng/dl; na mulher, de 1 a 40 ng/dl variando conforme fase do ciclo.
Qualquer hormônio para sua função depende da sensibilidade de seus respectivo receptor e, clinicamente, varia de pessoa para pessoa e determinamos os desfechos clínicos no dia a dia examinando os usuários da terapia. No seu caso, 87,2 ng/dl não é um valor baixo comparando os valores de referência. Se os desfechos clínicos não são alcançados, nova abordagem terapêutica deve ser proposta, particularizando cada caso. Os riscos de tromboembolismos, câncer de mama e outras variáveis devem ser consideradas em cada caso.
Sobre a hiperprolactinemia, o tratamento realizado pode ser a causa. Porém, outros diagnósticos diferenciais devem ser descartados como a presença de falso positivo no exame (macroprolactinemia), outras medicações, etc. Deve-se discutir com o endocrinologista que a acompanha.
Se seu “corpo não está respondendo bem” dependerá de analisar no que ele não está “respondendo bem” e promover uma estratégia para otimizar o tratamento. Homens e mulheres possuem receptores para estradiol e testosterona com suas particularidades moleculares mas, na maioria, todos respondem a estímulos hormonais dependentes da fórmula, dose e via de administração.
Para tudo isto é necessária uma boa avaliação clínica com o especialista nesta temática.
RESPOSTA ELABORADA PELO PROF. DR. ROGÉRIO SANTIAGO, ENDOCRINOLOGISTA. CONSULTAS COM ELE PODEM SER AGENDADAS PELO NÚMERO 086.3221.0795.
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